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Boletim Informativo do SINEP (Ano 13 - Nº136 - NOV/2008)
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O FUTURO DO PRETÉRITO
A crise financeiro-econômica foi anunciada, apareceu, se instalou para valer em alguns continentes e prenuncia, talvez, horizontes sombrios para todo o mundo. Nós, da escola particular, representada pelo SINEP-MG, que não somos economistas nem econometristas, ouvimos esses especialistas para saber o que faremos para minimizá-la ou, bafejados pela escassa brisa da esperança e do otimismo, evitá-la. A partir de avaliações de dados e fatos, com o rigor sistemático das ciências, era de se esperar que eles traçassem, com precisão, o desenho da conjuntura e estabelecessem, com segurança, as diretrizes a serem seguidas.
Os expertos em finanças, estatística e economia, contudo, caem, muitas vezes e em muitos tópicos, em contradição, deixandonos à deriva neste mar revolto e endoidecido do mercado. O neoliberalismo, não raramente hegemônico nos tempos atuais, que girava o timão contra os ventos e correntes excessivos das ingerências do Estado e suas coercitivas atitudes no campo econômico, volve agora para o lado estatal.
Que está acontecendo com os conhecedores da economia, para fazê-los tão díspares em suas análises das tendências econômicas mundiais? Por que uns são catastrofistas, outros nem tanto e alguns tão alvissareiros? O capitalismo terá chegado a seus últimos estertores, daí a regressão e os contra-sensos do momento? Será substituído por outro "ismo" mais eficiente e previsível?
Seguindo a necessidade de mais questionamentos em busca de explicações mais convincentes, chegamos a concluir, às vezes, em relação aos entendidos e seus pronunciamentos sobre a crise, que eles tenham perdido os princípios da razão de identidade, não-contradição, terceiro-excluído e razão suficiente / causalidade.
Parodiando o que Churchill disse da democracia, diremos do capitalismo: Tem-se dito que o capitalismo é a pior forma de sistema econômico, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos.
Capitalistas que somos, por inexistência de algo melhor encontrado e inventado até hoje, vamos partir para a reflexão sobre a crise e, depois, para a ação, com a convicção de que a crise é também oportunidade. Vamos, inclusive, com Vandré juventude da década de sessenta: Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Vamos embora... Vamos todos até para o espaço da utopia, que, na origem grega do termo, significa sem lugar. Não tenhamos dúvida, entretanto, de que o "sem lugar" pode ser sem lugar agora e, assim mesmo, se nós nos acomodarmos ou desesperarmos a ponto de "deixar como está para ver como éque fica".
Deixemos de lado, até um certo ponto, os técnicos que ousam fazer vaticínio de sistemas abertos, como a teia da vida e os mercados dos serviços e produtos, das bolsas e ações. Esqueçamos os profetas que são mais confiáveis quando predizem o futuro do passado.
Lembremo-nos de que temos uma história de luta renhida, muitas vitórias e algumas derrotas, mas que soubemos retirar destas a lição aprendida que nos ensinou a afastá-las de nós.
Aguardemos o futuro do presente com a segurança dos futuros do pretérito conseguidos com qualidade e importância na educação prestada à imensurável quantidade de cidadãos brasileiros. Lembremos, pois, do presente do passado, do presente do presente e do presente do futuro – levando em conta o conceito de tempo de Santo Agostinho –, e nos orgulhemos de todos nossos presentes da escola particular mineira.
E, quando nos apoquentarem com expressões "alavancagem", "bail-out", "subprime" e que tais, as entendamos no sentido do futuro do pretérito usado quando o locutor não quer se responsabilizar pelo conteúdo de seus enunciados, como na frase: "essas expressões seriam de um famoso economista norte-americano".
Ulysses de Oliveira Panisset
PRESIDENTE DO SINEP MG
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